quinta-feira, 30 de abril de 2009

(IR)Responsabilidade Fiscal...


O detendor de um cargo eletivo, antes de mais nada, deveria ser aquele que melhor personificasse os valores éticos de uma sociedade... uma idéia que persiste desde a Aniguidade Clássica, mas que até hoje não se concretizou.
Lendo uma notícia do jornal A Tarde (clique aqui para ler a notícia na íntegra), mais uma vez a antitese deste ideal salta aos olhos. O jornal informa que o prazo de entrega da prestação de contas dos gastos com educação, referentes a 2008, deveriam ser entregues hoje, 30 de abril, ao FNDE, mas que mais de 3.000 munícipios ainda não haviam feito.

Ingenuamente recorro ao argumento de que o brasileiro deixa tudo para a última hora. A outra opção é de que estes munícipios são incapazes de comprovar a destinação dos recursos recebidos.

Olhando para o histórico de denúncias sobre desvio, mal uso, ou simplemente roubo de recursos da educação, não fica difícil optar pela segunda alternativa.

Me pergunto de onde vem o prazer mórbido de privar pessoas da oportunidade, para maioria a única, de saírem da pobreza e da ignorância. Qual a origem da perversão de assistir uma criança desistir de estudar por não ter o que comer. Que tipo de personalidade doentia que se refastela enquanto outros , depoise de estudarem anos a fio, trabalham três turnos para ganharem um salário que mal paga o vale-transporte mensal, quiçá uma passagem aérea.

E nós... E nós continuamos votando...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

28 de Abril - Dia da Educação

Hoje, 28 de abril, comemora-se o Dia da Educação.

Pode-se questionar sobre a propriedade de se comemorar um dia como este, já que a realidade é a do sucateamento da educação, da desvalorização docente, da banalização da violência, das altas taxas de analfabetismo funcional, dos desempenhos vexatórios no PISA, e por ai vai.

Mas hoje não vou reclamar, mas nas próximas vou seguir o conselho de Raulzito:

"Mas é que/ Se agora prá fazer sucesso/ Pra vender disco de protesto/ Todo mundo tem que reclamar/ Eu vou tirar meu pé da estrada/ E entrar também nessa jogada/ E vamos ver quem é que vai güentar"

Hoje vou em outro caminho, o caminho da homenagem e do agradecimento.

Portanto agradeço a todos que de uma forma ou de outra nos chamaram a este caminho de professor, chamado no sentido estrito do termo em sua raíz:
vocare. Vocare de vocação...

Aos mestres mais ou menos famosos, escritores, professores e colegas, alguns ortodoxos outros alternativos, até ficcionais:

Paulo Freire, Célestin Frenet, Jean Piaget, Wilmar Coelho, Marita Sachetto, Simone Weil, Lev S. Vygotsky, Michel Foucault, Frei Beto, Leonardo Boff, Jane Elliot, Obi-Wan Kenobi, Edgard Morin, Michael W. Apple, Luiz Avelino, Miltão, Henry Wallon, Carl Rogers, Donald Winnicott, Comenius, Hatake Kakashi, Hiruzen Sarutobi, Sigmund Freud, Daniel Azulay, Roberto Freire, Mark Thackeray, Maria Montessori, Denise Puppin, Pierre-Joseph Proundhon, Johann H. Pestalozzi, Carlos Ramos Mota (
† 2008).

P.S.: Com certeza esqueci muita gente, perdão.
P.S.S.: A próxima postage será menos amável, nas palavras de Geraldo Vandré, "é a volta do cipó de arueira".

terça-feira, 28 de abril de 2009

Professores em Greve x Professores em Campanha Salarial

Uma amiga me perguntou se já havia "postado" algo sobre a greve dos professores do DF neste blog... bem, não havia escrito por um simples motivo: minha opinião sobre a greve não é, digamos das mais simpáticas.

Antes de continuar devo colocar uma posição - considero que os professores são realmente deavalorizados tanto moralmente quanto financeiramente pelo Estado.

Contextualizando, desde os tempos de estudante fui um entusiasta apoiador dos professores em suas reinvindicações, inclusive as salariais. Apoiei greves durante meus anos de escolar (quase anuais) e depois em minha vida de universitário apoiei as greves de três meses que nunca permitiam um semestre com início e términos normais. Apoiei sempre.

A greve sempre foi a estratégia proletaria de pressão por melhores condições de trabalho desde a Revolução Industrial, direito inconteste adquirido e sacramentado por nossa Constituição...

Em um monento de flashback rememorei todas as greves que já presenciei (e apoiei) e constatei uma coisa, todas, todas mesmo, sempre se resumiram ao reajuste salarial. Todas reivindicavam melhores condições de trabalho, qualidade do ensino, etc., mas sempre que se atendiam aos pontos que versavam sobre salários as greves se encerravam.

Não me lembro de greve desencadeada por assassinato de professores ou diretores, ou pelo fim de imposições descabidas com a pressão pela "promoção automática" que tanto incomoda os professores.

Os salários não são o que deveriam ser. Concordo. Mas só salários ou planos de carreira não são a solução exclusiva do problema educacional.

Enfim, minha posição é baseada na avaliação da força de mobilização da categoria e em seu uso, em outras palavras, a força coercitiva da categoria docente está direcionada apenas para um dos problemas da educação, que no mínimo pode ser mal interpretado como a variável mais egoísta da equação (eis uma afirmação que vai me render muita dor de cabeça), e esta interpretação pode levar os apoiadores incondicionais que somos, a nos tornarmos céticos e reticentes...

Greve e campanha salarial não são sinônimos... ou pelo menos não deveriam ser...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Desrespeito no ar...

Não existe meia ética, da mesma forma que não existe meio honesto...

Chocado, indignado, emputecido (com perdão pelo termo) são os sentimentos que qualquer cidadão sente com a palhaçada aérea da Câmara e do Senado...

Segundo reportagem do Correio Braziliense de 23 de abril, o MPF levantou um gasto de R$ 81,5 milhões entre 2007 e 2008 com passagens aéreas, um valor que fica muito mais imoral ainda quando comparado aos R$ 0,22 (você leu certo: vinte e dois CENTAVOS) destinado pelo FNDE por aluno por dia para merenda escolar! Uma passagem de Brasília a São Paulo, em valores de hoje, é de R$ 154,00 (promocional, que eu duvido que um parlamentar use) à R$ 969,00, ou seja, de 700 a 4404,54 dias de merenda escolar de um aluno!!!

O que se gasta de um lado faltará no outro...

A coisa ainda fica muito pior quando se fala em restrição dos valores para viagens e ouvem-se declarações como esta:

“Daqui a pouco, estaremos recebendo vale-transporte” Epitácio Cafeteira PTB-MA (Correio Braziliense, 23 de abril, p. 1)

O desrespeito pelo trabalhador que recebe vale-transporte, implícita nesta declaração é chocante, relegando a grande maioria que vê no vale-transporte um dos maiores benefícios que um emprego pode proporcionar, a uma posição de seres humanos de segunda classe. Muitos dos quais ficam de semanas a meses sem verem a própria família. Com uma grande probabilidade de acerto, qualquer trabalhador que recebe-se um salário de R$ 16,5 mil arcaria com tranqüilidade de suas despesas de viagens, já que conseguem sobreviver com muito menos.

Outros reclamam da distância da família... Alguém foi forçado a se candidatar? Se a idéia de ser um representante do povo é a de levar o interesse público acima do pessoal, aqueles que assim se comprometem a agir devem então estar cientes dos sacrifícios.

E a pergunta final o que faremos frente a isso? Esperaremos um CPI ou reelegeremos essa mesma quadrilha esse mesmo grupo?